terça-feira, 15 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
bom demais ter você
"Faltava apenas alguns dias"
Pequena Ana
Eis que é dada a notícia
Um bebê vem ao mundo
Será menino ou menina
Saberemos num segundo
Será menino ou menina
Saberemos num segundo
O segundo se passa
A certeza é dada
É a pequena Ana
À Ana se junta a Jamilly
Tão miúda e com nome tão imponente
Muito querida e já tão aguardada
Por uma família cada vez mais contente
MONOGRAFIA DE ANNE ROSALINY A. DE SOUZA.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE RORAIMA - UERR
CURSO
DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA
CAMPUS DE CARACARAÍ
ANNE
ROSALINY ALEXANDRINO DE SOUZA
A
IMPORTÂNCIA DA GESTÃO PARTICIPATIVA NO ÂMBITO ESCOLAR DAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE
CARACARAÍ.
Caracaraí-RR
2011
ANNE
ROSALINY ALEXANDRINO DE SOUZA
A
IMPORTÂNCIA DA GESTÃO PARTICIPATIVA NO ÂMBITO ESCOLAR DAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE
CARACARAÍ.
Trabalho de Conclusão
de Curso - TCC apresentado ao Curso de Licenciatura em Pedagogia da
Universidade Estadual de Roraima – UERR para a obtenção do título de Graduada
em Pedagogia.
Orientador: Profº. MSc. Edgard
Teodoro M. Filho.
Caracaraí-RR
2011
ANNE
ROSALINY ALEXANDRINO DE SOUZA
A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO
PARTICIPATIVA NO ÂMBITO ESCOLAR
Trabalho
de Conclusão de Curso - TCC apresentado ao Curso de Licenciatura em Pedagogia
da Universidade Estadual de Roraima – UERR para a obtenção do título de
Graduada em Pedagogia.
BANCA
EXAMINADORA
________________________________________________________
Prof.
MSc. Orientador Edgard Teodoro M. Filho - UERR
Orientador
_________________________________________________________
Prof.
MSc. Rossiter Ambrósio dos Santos - UERR
Membro
__________________________________________________________
Prof.
Esp. Moisés Marciano Prestes da Silva - UERR
Membro
Conceito:.......................................................................................................................
Caracaraí-
RR, 05 de julho 2011.
DEDICATÓRIA
Aos meus filhos, pela ausência que
sentiram de mim, em momentos difíceis.
Ao meu esposo, que sempre me deu apoio
nesta longa caminhada, pela paciência, dedicação, amor motivação para concluir
esta fase, dedico-lhes essa conquista como gratidão.
AGRADECIMENTOS
Agradeço
à Deus por minha existência e por ser o criador de todas as coisas;
Agradeço
a minha mãe, Rosa Mª Alexandrino de Souza, pelo incentivo aos estudos;
A
minha avó, Eline Benfica Alexandrino, por ter me guiado no caminho certo;
Ao
meu avô, Cláudio Morais de Souza, em respeito à sua memória;
Ao
meu esposo, José Alves, pelo amor e paciência sendo compreensível nos momentos
difíceis;
A
colega, Reilândia, pelo apoio e consideração;
As
amigas, Audeane e Regiane do curso, pelo apoio e estimulo;
Aos
docentes,
que contribuíram para a minha formação;
Ao
meu orientador, Profº Edgard Teodoro de Moura Filho, pela paciência e carinho
na qual me direcionou.
RESUMO
O presente trabalho de conclusão de curso
enfatiza sobre a temática: A importância da Gestão Participativa no Âmbito
Escolar. Levando o leitor a refletir sobre alguns aspectos acerca dos desafios
e mudanças na educação que compete ao gestor direcionar. Aborda sobre a relação
de poder estabelecida no interior das escolas com o objetivo de ressaltar que
um trabalho participativo é importante podendo fazer a diferença na estrutura
organizacional da escola. A realização deste trabalho busca apresentar algumas
sugestões para um trabalho efetivo e participativo compreendendo o que é gestão
participativa. De acordo com tais
conhecimentos, é possível mostrar que a gestão participativa, é um modelo atual
e contemporâneo onde as pessoas que fazem parte de sua organização, atuam assumindo
o compromisso com os resultados não deixando a organização se fragmentar. Este trabalho visa apresentar o papel do gestor como
agente propiciador de um ambiente participativo, pois, o líder atua como um elo entre
sua equipe. A metodologia utilizada nesta pesquisa foi à abordagem qualitativa,
devido análise realizada. Nesta pesquisa foi possível constatar que a gestão
participativa ainda é uma utopia, devido a muitos percalços que se encontra no
âmbito escolar. A tomada de decisão ainda é voltada somente ao gestor, sendo centralizadas
as ações escolares. Conclui-se assim que
a partir do momento que as Instituições abrirem as portas para a efetiva
participação, será de fato realizada a verdadeira gestão participativa no
âmbito escolar. No entanto como perspectiva de promover a inclusão, a gestão
participativa propõe dar uma nova face a escola, portanto, a realidade das
escolas pode mudar.
Palavras-chave:
Gestão
– escola – participação – democracia – gestor
SUMMARY
This conclusion of course work focuses on the topic: The Importance of Participatory Management in the school. Taking the reader to reflect on some aspects about the challenges and changes in education it is for the direct manager. Addresses on the power relationship established within schools in order to emphasize that a participatory work is important and can make a difference in the structure of the school. This work seeks to present some suggestions for effective work and understanding what is participatory participatory management. According to such knowledge, it is possible to show that participatory management is a current model and contemporary where people who are part of your organization, acting with the commitment to results is not leaving the organization to fragment. This work presents the role of the manager as agent enabler of a collaborative environment, therefore, the leader acts as a link between their team. The methodology used in this study was the qualitative approach, because analysis. In this study, we determined that participatory management is still a utopia, because of the many mishaps that is in the school. The decision is still entirely devoted to the manager, the actions being centralized school. It is concluded that from the moment that the institutions open their doors for the effective participation, will actually be held true participatory management in the school. However, as the prospect of promoting inclusion, participatory management proposes a new face to the school, so the reality of schools may change.
Keywords:
Management - school - participation - democracy - manager
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...........................................................................................................10
1
A NATUREZA DO OBJETO DA PESQUISA.........................................................13
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO........................................................................................13
1.2 PROBLEMA..........................................................................................................14
1.3 JUSTIFICATIVA...................................................................................................14
1.4 OBJETIVOS.........................................................................................................15
1.4.1
Objetivo Geral..................................................................................................15
1.4.2
Objetivos Específicos.....................................................................................16
2
MARCO TEÓRICO..................................................................................................17
2.1. A ADMINISTRAÇÃO, A
EDUCAÇÃO E O INDIVÍDUO.......................................17
2.2.1
A escola como núcleo da gestão...................................................................21
2.3 GESTÃO PARTICIPATIVA:
uma nova realidade.................................................25
2.3.1
A participação como forma de organização.................................................29
2.3.2
A democracia em seu aspecto participativo................................................32
2.4 O PAPEL DO GESTOR
ESCOLAR.....................................................................35
2.4.1
A descentralização e a conquista da autonomia.........................................39
3
MARCO METODOLÓGICO....................................................................................43
3.1 POPULAÇÃO ALVO E AMOSTRA......................................................................44
3.2 INSTRUMENTOS DE COLETA
DE DADOS........................................................44
3.3 DESIGN DA PESQUISA......................................................................................45
4
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS...............................................................46
CONSIDERAÇÕES
FINAIS.......................................................................................58
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................60
APÊNDICE.................................................................................................................66
INTRODUÇAO
A reflexão sobre as competências que direcionam as escolas
são preocupantes e de como esses trabalhos são distribuídos nos leva a busca da
análise para que se possa entender como se dá. A construção dessa pesquisa abriu caminhos para uma compreensão clara da
importância de ter um modelo de gestão que realmente busque o envolvimento de
toda a equipe escolar.
Uma
gestão participativa consegue envolver a maioria dos funcionários, sendo um
modelo para escolas que não possuem. A
pesquisa foi nomeada como a importância da gestão participativa no âmbito
escolar, no intuito de ressaltar a sua importância para melhorias e uma maior
participação dos grandes interessados por uma educação melhor.
A
flexibilidade das pessoas e da própria organização permite uma abordagem
aberta, facilitando a aceitação da realidade e permitindo constantes
reformulações que levam ao crescimento coletivo. A dignidade do grupo, e de
cada ser, se faz pelo respeito mútuo.
Na sociedade, percebe-se
o desenvolvimento da consciência de que o autoritarismo, à centralização, a
fragmentação estão ultrapassados, por direcionarem ao imobilismo, ao
descompromisso por atos e seus resultados e, em última instância, pelo fracasso
de instituições. A escola encontra-se, hoje, no centro das atenções, isto,
porque a educação está conquistando seu espaço dentro de uma sociedade
globalizada, pois, constitui grande valor estratégico para a expansão da
humanidade.
As mudanças fazem com que o gestor assuma um
papel importante nesse processo, visando à organização da escola, com ferramentas
para a promoção de experiências de formação de seus alunos, tornando-os
cidadãos atuantes na sociedade. O gestor não decide de forma arbitrária pela
escola em que atua, mas convida a comunidade, momento em que se debate, no
coletivo, o cotidiano da escola em todos os aspectos que lhe sejam relevantes.
Procura criar momentos de conscientização e estratégias para
sensibilizar a comunidade escolar, como um todo, para o fato de que os
problemas enfrentados no cotidiano escolar não estão dissociados da realidade
social em que a escola está inserida.
Neste sentido, analisando as questões
voltadas para a busca da participação de todos, não depende somente da gestão, mas
sim de toda a equipe escolar, foi possível mostrar que para qualquer trabalho
dá certo, é preciso que haja interesse por parte de todos.
A abordagem participativa na gestão
escolar demanda maior participação de todos os interessados no processo
decisório da escola, envolvendo-os também na realização de diversas tarefas de
gestão.
De acordo com Dalmas (1994, p. 58): “A ação grupal reflete constantemente uma metodologia participativa, em
que todos têm condições de se envolver ativamente no trabalho, com reflexos nos
resultados alcançados pelo grupo”.
As escolas possuindo um
modelo participativo desenvolverão os trabalhos com mais eficácia e com um
rendimento mais qualitativo.
Sob a designação de
participação, experiências são promovidas, muitas das quais, algumas vezes, com
resultados mais negativos do que positivos. Nelas deve-se considerar a efetividade
do envolvimento de pessoas na determinação de ações e da sua própria atuação.
Isto porque, em nome da
construção de uma sociedade democrática ou da promoção de maior envolvimento da
comunidade escolar nas organizações, facilita-se a realização de ações que
possibilitem e até condicionem a sua participação.
Como esclarece Lück (2008, p.29):
A participação em seu sentido pleno
caracteriza-se por uma força de atuação consciente, pela qual os membros de uma
unidade social reconhecem e assumem seu poder de exercer influência na
organização da dinâmica dessa unidade social, de sua cultura e de seus
resultados, poder esse resultante de sua competência e vontade de compreender,
decidir e agir em torno de questão que lhe são afetas, dando-lhe unidade, vigor
direcionamento firme.
Entretanto,
faz-se necessário esclarecer que “a organização e a gestão são meios para se
atingir as finalidades do ensino” (LIBÂNEO, 2005, p.301) e, não fins, muito
menos atitudes individuais.
Portanto, a
responsabilidade da gestão participativa é complexa e envolve o entendimento e
a competência relativa a questões políticas, pedagógicas e organizacionais, além
das legais. Mas, para que a gestão participativa ocorra, ainda é necessário
trilhar um caminho que certamente não será fácil, porém desafiador e somente
será trilhado pelos verdadeiros agentes de mudança.
Dessa maneira, a escola
aproximar-se-á da função primordial que é promover a cidadania e estará
oferecendo o ingrediente fundamental para a sua verdadeira construção pela
participação.
Anísio Teixeira foi
o primeiro administrador público a relacionar democracia com administração da
educação, com base nessa relação seu projeto de educação concebia a escola como
o único caminho para a democracia.
Caminho esse que vai ao encontro da gestão
participativa, que é um procedimento que se fundamenta em uma série de
princípios interligados, que se expressam de forma subjacente nos vários
momentos e expressões da participação. Para a sua existência, alguns
pressupostos foram relevantes, dando significado para sua efetivação, como a
democracia como vivência social, a construção do conhecimento da realidade
escolar e a participação como necessidade humana.
Como
bem expõe Lück (2008, p. 54):
Democracia e participação são dois termos
inseparáveis, à medida que um conceito remete ao outro. No entanto, essa
reciprocidade nem sempre ocorre na prática educacional. Isso porque, embora a
democracia seja irrealizável sem participação, é possível observar a ocorrência
de participação sem espírito democrático.
Analisando a forma como é desenvolvida a
gestão participativa no ambiente escolar, é notável a importância da mesma para
um trabalho mais proveitoso.
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Esta
pesquisa foi realizada em três escolas municipais da sede do município de
Caracaraí, socializando sobre o tema: a importância da gestão participativa no
âmbito escolar. A internet facilitou a busca de informações, embora estivesse
lenta em alguns momentos. O município de Caracaraí estava em período de fortes
chuvas, o que dificultou o desenvolvimento da pesquisa.
Caracaraí, município do
interior do Estado de Roraima, estando
localizado a 134 km da capital, Boa Vista, possui uma população estimada em
25.789 habitantes, possui biblioteca pública à disposição da
comunidade e os discentes são em sua maioria filhos de pescadores e pequenos
agricultores com pouca escolaridade, o que dificulta o recebimento de apoio nas
tarefas escolares caseiras.
A sede do município possui oito escolas
da rede pública de ensino, sendo cinco municipais e três estaduais atendendo
alunos do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (Ensino
Fundamental).
Diante dos fatos, um acompanhamento
da participação da equipe escolar e aliada ao compartilhar
das experiências adquiridas foi uma conquista em divulgar a importância dessa
pesquisa, pois, a gestão participativa é um meio pela qual todos os envolvidos
no processo educacional se comprometem e assumem a responsabilidade de inovação
com conseqüente interferência positiva na qualidade do processo de ensino e
aprendizagem.
Nesta perspectiva a gestão participativa, é um
processo amplo, que já passou por grandes mudanças e é o caminho para se
alcançar a autonomia.
1.2 PROBLEMA
A gestão participativa conseguirá mudar de forma positiva
a estrutura organizacional do ambiente escolar que centraliza as decisões em
seu poder?
1.3 JUSTIFICATIVA
Este trabalho
justifica-se pela necessidade de analisar algumas atitudes no âmbito escolar
referente ao modelo de gestão e nota-se que ainda se vê uma gestão centralizadora,
autoritária e fragmentada, fazendo-se necessário uma investigação para que haja
uma compreensão relacionada a essas atitudes.
Tem se observado a
necessidade das escolas possuírem um modelo de gestão no intuito de gerar um
processo de mudança nas organizações escolares buscando adequá-los aos novos
padrões da sociedade atual, por meio da inovação e da prática de uma gestão
participativa.
Deste
modo, vai ser preciso investir na transformação da atitude dos profissionais da
escola, no sentido de ir orientando suas práticas pedagógicas e administrativas
para a garantia de uma educação formal contínua e de qualidade aos alunos.
É
justificado pelo desenvolvimento de um ambiente agradável, onde se possam
compartilhar as experiências, vitórias, derrotas e pela participação das
tomadas de decisões. Uma gestão participativa tendo o poder de envolver todos
em uma ação consciente, na qual os membros da escola vão assumindo sua
influência na determinação da dinâmica dessa unidade escolar será uma gestão
que fará a diferença.
Tendo
em vista que a participação e a gestão são importantes, e juntas conseguem
estabelecer espaço e clima para que todos os seus membros possam discutir e
decidir sobre os procedimentos a serem adotados, assumindo também o compromisso
e a responsabilidade quando da sua implementação, por isso através do trabalho
coletivo é que se poderá exigir e propor a responsabilidade no processo de
transformação, orientando o rumo que se deve tomar.
Ao defender a idéia de uma gestão participativa,
pressupõe-se a necessidade da existência de uma escola bem dirigida, organizada
pela vontade da maioria, defendendo uma atitude aberta e democrática.
Dessa
forma analisa-se o papel do gestor que assume uma função fundamental neste
processo, procurando viabilizar os trabalhos da melhor forma possível,
valorizando cada profissional de sua equipe e promovendo um ambiente propício
onde todos possam conviver em harmonia.
“O gestor precisa ser o grande articulador da escola, esforçando-se por
criar canais adequados de comunicação e interação” (ABREU, 2001, p. 112).
Certamente,
é grande o desafio do gestor em efetivar seu trabalho no âmbito da ação
participativa, por isso tem se observado que as decisões coletivas e a abertura
à participação da sociedade na escola possibilitam o acesso e a permanência da
população à necessária base cultural e à formação que são exigidas pelas condições
da sociedade atual.
1.4 OBJETIVOS
1.3.1 Objetivo Geral
Ressaltar a
importância da Gestão Participativa no âmbito escolar.
1.3.2 Objetivos Específicos
a)
Investigar que instrumentos são utilizados
pela gestão para viabilizar os trabalhos;
b)
Analisar como se dá a articulação entre
gestão e a equipe escolar;
c)
Verificar se a gestão é atuante no processo
organizacional da escola.
2 MARCO TEÓRICO
Este capítulo faz um
percurso teórico, onde aborda conceitos relacionados ao tema. Estão divididos
da seguinte forma: O primeiro tópico fala sobre a administração, a educação e o
indivíduo, traçando uma linha de tempo, enfatizando a importância do indivíduo
neste processo.
O
segundo tópico apresenta a gestão participativa
como uma nova realidade e o terceiro vem falando o papel do gestor mostrando
sua postura enquanto articulador no ambiente escolar.
Estes
conceitos têm o objetivo de contribuir para um conhecimento mais aprofundado
sobre a gestão participativa no ambiente escolar, ressaltando a sua importância
para uma estrutura organizacional mais eficaz.
O termo gestão (do inglês management) pode
ser definido como “o conjunto de ações, métodos e processos de direção,
organização, assimilação de recursos, controle, planejamento, ativação e
animação de uma empresa ou unidade de trabalho” (HERMEL, 1990, p.75).
Gestão
Participativa é uma forma de gestão que se encontra no primado da gestão
capitalista e é uma parte integradora do capital, sendo que “não ultrapassa o
nível de uma estratégia ou tecnologia de gestão a serviço da acumulação capitalista”
(FARIA, 1987, p. 80)
2.1 A
ADMINISTRAÇÃO, A EDUCAÇÃO E O INDIVÍDUO
A
administração surgiu nas sociedades mais primitivas em razão da necessidade de
resolver problemas de interesse comum, “administrar é, sobretudo, administrar
as inter-relações estabelecidas entre as organizações, sendo fundamental
conhecer os condicionamentos recíprocos decorrentes dessas inter-relações”
(OLIVEIRA 1997, p. 31).
A
administração teve seu princípio pela família, tribo, igreja, exército e
Estado, mas, com o passar dos tempos surgiram novos modelos de administração e
ocorreram grandes transformações. “A administração deveria ter como objetivo
criar condições ou situações em que o conflito pudesse ser controlado e
dirigido para canais úteis e produtivos” (SHEPPARD 1962, p. 33).
No âmbito das teorias administrativas,
na realidade, teorias políticas do Estado Amplo, essas transformações nas
estruturas de poder como na forma de atuação começam a ser sistematizadas a
partir dos anos 60.
Até os anos 40, a administração era
pensada a partir da realidade interna da empresa, concebida enquanto sistema
fechado. A ênfase era dada à hierarquia, à imposição de regras e normas rígidas.
Segundo Oliveira (1997, p. 29):
Procurava-se
a padronização do desempenho humano e a rotinização das tarefas, para evitar a
variabilidade das decisões e dos comportamentos individuais.
As décadas de 50 e 60 marcam
o processo de internacionalização da economia, através das empresas
transacionais. Ao mesmo tempo, a inter-relação das organizações de todos os
tipos se estreita, exigindo estudos mais específicos e aprofundados dos diferentes
tipos de estrutura organizacional.
Como afirma Oliveira (1997, p. 31):
A busca da
integração, tanto da organização com o “ambiente externo”, Isto é, com o
conjunto de instituições com as quais ela se relaciona quanto entre os diversos
departamentos e níveis funcionais, classes e segmentos de classes que se
inter-relacionam no “ambiente interno”, leva ao reforço e à diversificação dos
mecanismos de controle, através dos quais se desenvolvem as políticas de
prevenção de conflitos e a construção do consenso. O controle social se
expressa nas noções de sistemas de papéis, normas e valores, cultura e clima
organizacional.
As
noções de cultura clima organizacional surgiram nos Estados Unidos na década de
60, no bojo de uma linha de pensamento administrativo chamado Desenvolvimento
Organizacional.
Nesta perspectiva Tylor (1871, p. 54),
define cultura como: “Aquele todo complexo que inclui conhecimento, crença,
arte, valores morais, leis, costumes e qualquer outra capacidade ou hábito
adquirido pelo homem como membro da sociedade”. Outra definição vem de Ferraro
(1994, p. 67): “Tudo o que as pessoas têm, pensam e fazem como membros da
sociedade”.
Outra
afirmação é a de Morgan (1996, p. 41):
Cultura refere-se
tipicamente ao padrão de desenvolvimento refletido nos sistemas sociais de
conhecimento, ideologia, valores, leis e rituais cotidianos, sendo seu conceito
usado mais genericamente para significar que diferente grupo de pessoas tem
diferentes estilos de vida.
Já o clima organizacional
constitui o ambiente psicológico de uma dada organização envolvendo diferentes
aspectos que se destacam em diferentes níveis.
Ambiente organizacional é definido por
Daft (2002, p. 122) como: “todos os elementos que existem fora dos limites da
organização e que tem o poder de afetá-la como um todo ou uma parte dela”.
De acordo com Gramsci (1981, p.13):
Criar
uma nova cultura não significa apenas fazer individualmente descobertas
‘originais’, significa também, e, sobretudo, difundir criticamente verdades já
descobertas, ‘socializá-las’ por assim dizer; transformá-las, portanto, em base
de ações vitais, em elemento de coordenação e de ordem intelectual e moral.
Após tantas mudanças e grandes lutas
ocorridas nos anos 60 e durante toda a década de 70, em vários países, muitos
trabalhadores criaram as suas próprias organizações de luta e iniciaram
processos de autogestão.
Como explica Oliveira: “A
participação proposta aos trabalhadores resulta da compreensão do patrono de
que as novas gerações de trabalhadores apresentam outro elemento a ser
explorado: a sua capacidade de raciocínio” (1997, p. 38).
Desta forma, o
investimento das empresas no que se refere à relação entre organização e os
indivíduos desta organização, vai se dá na participação ativa destes indivíduos
no processo de produção e de gestão da produção, ou seja, na sua contribuição
para o crescimento da empresa.
O papel da gerência participativa, que “intervêm na tecnologia, no
indivíduo e na função com o objetivo de melhorar a produtividade, aumentar o
grau de flexibilidade na utilização dos recursos (via layout e utilização
mais intensa dos meios de produção), modificarem o clima de trabalho e
enriquecer as funções” (FARIA, 1987, p. 82).
No Brasil a partir das pressões de sindicatos e empregados surgem novas
formas de organizar o trabalho “formas de trabalho mais criativas, passaram a
se desenvolver, procurando identificar melhor o indivíduo com as metas
empresarias” (HILLESHEIM e COSMO, 1988, p. 55).
Sendo assim, o indivíduo
passa a ter um compromisso maior com essa organização, o que faz com que tenha
muitas expectativas com relação ao seu próprio desempenho, no intuito de
“promover maior participação dos empregados na solução dos problemas do
trabalho e maior eficácia na administração de conflitos. Esta é a estratégia de
manutenção, reforço e, ou, ampliação do controle sobre o processo de trabalho”
(FARIA, 1987, p. 17).
Torna-se essencial à
otimização da gestão dos indivíduos da organização, que necessita ser coerente
com os objetivos e as estratégias da empresa, e ainda implicando na obtenção de
uma maior flexibilidade e melhor confiança no trabalho realizado. Assim “diversos
ideólogos do capitalismo burocrático anunciavam em meados do século a
emergência do trabalho não alienado, com o desenvolvimento da automação”
(MOTTA, 1984, p.10).
Desta forma a participação
vem para tratar o conflito, porque neste século, o conflito não pode mais ser resolvido
pelo abuso de poder, mas, sim pelo meio da “atenuação das tensões e com a participação
dos trabalhadores com as decisões que afetassem seu trabalho” (MOTTA, 1984, p.
11).
Como conseqüência destas
mudanças no contexto da produção surge às novas formas de gestão dentro das
organizações.
A administração da educação, no
contexto das mudanças sociais, atravessa uma fase de profunda transformação que
se constitui em conjuntos de diferentes medidas e construções que objetivam:
Alargar
o conceito de escola, reconhecer e reforçar sua autonomia e promover a
associação entre escolas e sua integração em territórios educacionais mais
vastos e adotar modalidades de gestão específicas e adaptadas à diversidade das
situações existentes ( BARROSO,
1998, apud FERREIRA, 2004, p.304).
Exige-se da administração
da educação novas formas de organização que possibilitem participação efetiva
de todos no processo do conhecimento e de tomada de decisão.
Nesta perspectiva, a escola
tem um papel fundamental, pois, ao lado da família e do meio social mais amplo,
a escola é uma das esferas de produção de capacidade de trabalho. “A escola,
portanto, não pode mais permanecer nas franjas dos mecanismos de controle
social e econômico do sistema capitalista” (OLIVEIRA 1997, p. 39).
O mundo da educação diz respeito às
pessoas e ao seu contexto sócio-cultural.
2.1.1
A escola como núcleo da gestão
A partir
da década de 90, percebe-se uma mudança nas orientações presentes nas reformas
educativas no Brasil, em âmbito Federal, Estadual e Municipal. A primeira
mudança é a de que se cria a denominação “reformas educativas”, porém é anunciada
como “reformas administrativas”.
Estas mudanças, “são proposições que
convergem para novos modelos de gestão do ensino público, calcados em formas
flexíveis, participativas e descentralizadas da administração dos recursos”
(OLIVEIRA 1997, p. 90).
Na gestão da educação pública, os
modelos fundamentados na flexibilidade administrativa podem ser percebidos na
desregulamentação de serviços e na descentralização dos recursos, posicionando
a escola como núcleo do sistema.
Para Oliveira (1997, p. 91):
São
modelos alicerçados na busca de melhoria da qualidade na educação, entendida
como um objetivo mensurável e quantificável em termos estatísticos, que poderá
se alcançado a partir de inovações incrementais na organização e gestão da
escola.
Os movimentos de participação na gestão da escola
pública foram e continuam sendo ações políticas organizadas pelos sindicatos de
profissionais da educação e os primeiros movimentos dessa participação que se
tem notícia, foram dos estudantes secundaristas no antigo Distrito Federal,
durante a gestão de Anísio Teixeira, como Secretário de Educação.
Conforme relata
Nunes (1992, p. 168):
A abertura das escolas para o
mundo urbano tornou-se palco de conflitos e disputas. Em algumas escolas
secundárias, o regime de self-government através do qual a gestão escolar era
realizada pelos próprios alunos, organizados em conselhos, nos quais decidiam
sobre sanções disciplinares, estímulos aos colegas retardatários, apoio aos
menos ajustados, programas e estudos supletivos, atividades curriculares e
extracurriculares, etc. Foi lido como livro da “anarquia” que, sem sólidas
raízes no círculo familiar dos alunos, invertia a hierarquia da autoridade
escolar, promovendo a desordem.
A Constituição Federal de
1998, em seu artigo 206, inciso VI, põe a gestão democrática como princípio da
educação pública, assumidos no artigo terceiro da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, inciso VIII, explicitando “gestão democrática do ensino
público na forma de lei e da legislação do sistema de ensino”
(BRASIL, 2005a, p. 22).
A gestão educacional
abrange a articulação dinâmica do conjunto de atuações como prática social que
ocorre em âmbito macro (sistema), micro (escola) e na interação de ambos,
através da mudança paradigmática que visa superar a fragmentação da realidade.
Não se creia que a reconfiguração da
escola passa apenas por uma de dispositivos pedagógicos. Não se trata de
substituir artefatos de engenharia curricular, porque a mudança não consiste
num mero exercício de bricolagem. É preciso reconfigurar os sistemas de relações,
a racionalidade que subjaz aos modelos de gestão e diretorias. É preciso
estabelecer rupturas com um discurso político estéril e recontextualizar a
escola na cidade educativa (PACHECO, 2005, p.61).
Para enfatizar Lück (2006a, p. 47)
afirma:
Uma mudança de
denominação só é significativa quando representa uma mudança de concepção da
realidade e de significados de ações mediante uma postura e atuações diferentes.
Nessa perspectiva são visíveis
as mudanças ocorridas no setor educacional e de como essas mudanças
contribuíram para uma educação mais igualitária, porém, as mudanças, ao mesmo
tempo em que propiciam crescimento e ganhos, geram ansiedades que podem
provocar o afastamento das situações de mudança.
“Mudança esta pautada nos
avanços da sociedade do conhecimento, que por sua vez, fundamentam a concepção
de qualidade na educação e define a finalidade da escola”. (BORDIGNON;
GRACINDO, 2004, p.148-149).
Na concepção de Barbosa
(2001, p. 188) enfatiza que:
Para diminuir
fontes de ansiedade, o homem resiste à mudança, utilizando distintas condutas
frente à mesma, temendo a perda de estruturas já estabelecidas, a perda da
acomodação e o ataque, por não se sentir instrumentado para se defender dos
perigos que a novidade sugere.
A escola é o lugar que
representa a esperança, o desejo humano de aperfeiçoar-se, de mudar, de fazer-se
e promover-se por inteiro, o “lugar social no qual a expectativa de mudança é o
traço mais marcante” (SILVA, 1996, p.52). A escola não é a única responsável
pelas mudanças necessárias, porém é uma das instituições que tem condições de
dar sua contribuição.
No
Brasil as escolas vivenciaram durante muito tempo práticas de um governo
autoritário em que a classe dominante apresentava-se como uns dos mais eficazes
procedimentos administrativos.
Como diz Barbosa (2002, p. 25):
Ensinar-aprender
sobre a sociedade brasileira, suas condições econômicas, a forma como
transformar a natureza para obter condições de sobrevivência, sua cultura, a
diversidade de soluções que surgem numa extensa dimensão territorial, etc., é
realizada em todas as escolas brasileiras, porém utilizar este
ensino-aprendizagem para construir a noção de identidade nacional, pessoal e o
sentimento de fazer parte de um país, é algo distante de muitos dos esforços
que estão sendo realizados.
“A escola é fruto da
ação humana, ação essa que condiciona e é condicionada pelo ambiente e sua
própria criação” (SILVA, 1996, p. 46). É também o resultado de suas próprias
contradições.
[...] significa conceber as instituições
enquanto práticas sociais que, em sua particularidade, existem pela ação dos
que cotidianamente as fazem e
pelo reconhecimento
desse fazer como uno, necessário e justificado. Significa,
ainda, estabelecer as distancias entre o real e o discurso analítico bem como as distinções dos planos em que este discurso se dá ou em que se propõe a compreender as relações concretas. Conhece-se a instituição a partir de certa concepção do que ela seja e faz-se um inevitável recorte desde a perspectiva em que se dá o conhecimento, ou melhor, desde o nível ou ângulo a partir do qual se constrói o
conhecimento (SILVA 1996, p.46).
A escola pública é vital para que haja
mais justiça social e todos possam usufruir o bem comum produzido pela
sociedade:
Para refletir, Freire (1991) declara:
A escola pública
que desejo é a escola onde tem lugar de destaque, a apreensão crítica do
conhecimento significativo, através da relação dialógica. È a escola que
estimula o aluno a perguntar, a criticar, a criar; onde se propõe a construção
do conhecimento coletivo, articulando o saber popular e o saber pelas
experiências do mundo (FREIRE 1991, p. 81).
No entanto, vale lembrar que “o direito
a educação não se esgota na escolarização” (MACHADO, 2006, p.25), por isso,
percebe-se um “hiato real entre as leis e normatizações (política educacional)
e a democratização da sociedade e da instituição escolar” (MAIA; LIMA, 2006,
p.45).
“A escola como instituição social tem a
possibilidade de construir a democracia como forma política de convivência
humana” (HORA, 1999 p. 53).
A introdução da gestão participativa na escola
abre espaço para a atuação simultânea nas pessoas e nas estruturas.
No que diz respeito
as estruturas, é preciso encontrar formas de organização e de execução do
trabalho na escola que quebrem o isolamento das pessoas, dos espaços e das
práticas, estimulem a formação de equipes, estabeleçam a circulação da
informação, estabeleçam relações, responsabilizem os verdadeiros atores, e permitam
elaborar e executar projetos em conjunto.
Nessa
perspectiva, é essencial a vinculaçao da escola com questões sociais e com os
valores democráticos, não só do ponto de vista da seleção e tratamento de
conteúdos, como também da própria organização escolar. [...] Pode-se dizer que
a maioria das escolas tende a ser apenas um local de trabalho individualizado e
não uma organização com objetivos próprios, elaborados e manifestados pela ação
coordenada de seus diversos profissionais. [...] É imprescindível que cada
escola discuta e construa seu projeto educativo (BRASIL-SEF, 1997 p. 48).
A
abordagem participativa na gestão escolar demanda maior participação de todos
os interessados no processo decisório da escola, envolvendo-os também na
realização das múltiplas tarefas de gestão.
Esta abordagem também amplia a fonte de habilidades e de experiências
que podem ser aplicadas na gestão das escolas.
Segundo Luck (1998,
p. 27), é importante ressaltar que:
Por
não haver uma única maneira de se implantar um sistema participativo de gestão
escolar identificamos alguns princípios gerais da abordagem participativa. Nos
mais bem sucedidos exemplo de gestão escolar participativa observou-se que os
diretores dedicam uma quantidade considerável de tempo à capacitação
profissional e ao desenvolvimento de um sistema de acompanhamento escolar e de
experiências pedagógicas pela reflexão- ação.
Assim, é necessário que a organização
escolar possua uma estrutura bem sólida, pois, a principal alternativa para que
a escola se transforme em um ambiente de crescimento contínuo e integrado é a
participação e o comprometimento de todos.
As atividades escolares devem ser
produtos da reflexão do coletivo da escola, pois o planejamento dessas
atividades é indispensável para que a escola consiga desempenhar bem o seu
papel.
Pois, “isoladamente, ainda que haja
competência e comprometimento, os resultados do trabalho educacional são quase
sempre insignificantes” (BORGES In: ANDRADE, 2004, p. 42).
A partir dessa reflexão surgirão os
caminhos a serem seguidos na ação educacional, no intuito de melhorar cada vez
mais o trabalho escolar, pois, construir caminhos a serem adotados por todos,
requer compromisso.
2.2 GESTÃO PARTICIPATIVA:
uma nova realidade
A administração de forma
geral, no último século, passou por várias transformações no que se refere à
forma de gestão dos negócios.
O
conceito de gestão resulta de uma nova compreensão da condução das organizações. Surge
como superação dos limites da administração. Emerge um novo paradigma,
isto é, “visão de mundo e óptica com que se percebe e reage em relação à
realidade” (KUHN, 1982 apud LUCK, 2006a, p. 34).
Tem-se
por pressuposto que a gestão é a atividade pela qual são “mobilizados meios e
procedimentos para atingir os objetivos da organização, envolvendo aspectos
gerenciais e técnicos administrativos” (LIBÂNEO, 2005, p.318). Em outras palavras,
a organização e a gestão colocam-se a serviço dos objetivos educacionais e são
os meios para atingir esses objetivos.
No domínio das teorias da administração em
geral, a gestão participativa corresponde a um conjunto de princípios e
processos que defendem e permitem o envolvimento regular e significativo dos
trabalhadores na tomada de decisão.
Este envolvimento manifesta-se, em geral, na participação
dos trabalhadores na definição de metas e objetivos, na resolução de problemas,
no processo de tomada de decisão, no acesso à informação e no controlo da
execução. Isso é possível devido a gerência participativa ter “uma gerência aberta
que, por meio de processos participativos estimula a motivação, a cooperação e
a liberação do potencial criativo da equipe induzindo maior engajamento e
co-responsabilização por resultados” (MATOS, 1980, p.08).
Esta gestão permite a participação dos colaboradores em
algumas decisões nas organizações, de forma organizada e responsável podendo
assumir graus diferentes de poder e responsabilidade.
No quadro da
evolução das teorias da administração, a gestão participativa tem a sua origem
no movimento das relações humanas que se difundiu a partir dos célebres estudos
conduzidos entre 1924 e 1933, por Mayo nos Estados Unidos.
Estes estudos e a investigação que se
lhes seguiu mostraram a importância do fator humano nas organizações
relativizando, assim, a ideia de que era possível uma racionalidade da gestão
baseada na organização científica do trabalho, como defendiam Taylor e os seus
seguidores, desde o princípio do século. Portanto, sua prática (gestão) é
promotora de transformação de relações de poder, de práticas e da
organização escolar em si, e não de inovações como costumava acontecer com a
administração cientifica (LUCK, 2000, p.15).
Neste sentido, um dos instrumentos
principais para o desenvolvimento desta cultura de participação consiste na
capacidade de os membros da organização aprenderem e porem em prática diferentes
modalidades de trabalho coletivo.
Um dos princípios
da gestão participativa é referente a operação, pois, esta dificilmente falha,
devido os operadores serem treinados e capacitados. O foco da participação está
centrado na tarefa de motivar os colaboradores.
Mas, é possível que aconteça
alguma dificuldade na aceitabilidade de um modelo participativo.
É o que diz Quick (1995, p. 32):
[...] não é fácil
obter a participação dos funcionários. Às vezes as pessoas levam muito tempo
para desenvolver a confiança e a credibilidade necessárias para que o
gerenciamento participativo funcione.
Com isso é necessário que
todos estejam preparados e haja uma flexibilidade tanto da organização quanto
dos seus agentes no momento em que de fato participam das decisões.
Marques faz uma análise sobre o comportamento das pessoas no sistema
participativo considerando que “[...] é muito mais fácil percorrer um caminho
quando se ajudou a idealizar” (MARQUES 2006, p. 60).
Para contribuir com Marques, Lück (2008, p.50) acrescenta:
A ação
participativa, como prática social segundo o espírito de equipe, depende de que
seja realizada mediante a orientação por certos valores substanciais, como
ética, solidariedade, equidade e compromisso, dentre vários outros co-relacionados, sem os quais a participação no contexto da
educação perde seu caráter social e pedagógico.
A gestão
participativa amplia as possibilidades de satisfação das necessidades
intrínsecas das pessoas, pelo envolvimento mais efetivo de todos na elaboração
e conquista dos objetivos organizacionais, abrindo espaço para a ampliação do
horizonte de desenvolvimento individual.
Lück (2008, p. 63) aborda
essa questão dizendo:
A participação é um
princípio a permear todos os segmentos, espaços e momentos da vida escolar e
dos processos do sistema de ensino, de acordo com os postulados democráticos,
orientadores da construção conjunta.
Integrar todos dentro de um modelo considerado novo, não é fácil, mas é
desafiador. Considerando que a qualidade no interior das organizações é
fundamental para se alcançar bons resultados.
Segundo Medeiros (1994, p. 19):
A abordagem participativa enfatiza que a
qualidade é tarefa de todos e que somente com a participação e o esforço de todos,
a qualidade será atingida. Esta abordagem supõe que quem melhor conhece os
problemas da linha de produção e qualidade, e também quem pode sugerir melhores
soluções é quem lida com eles no dia-a-dia, pois se supõe que todos os
trabalhadores são criativos e tem inteligência, independente da posição hierárquica
que ocupem.
A gestão
participativa é uma política de gestão que valoriza a capacidade das pessoas em
tomarem decisões e resolver problemas, aprimorando a satisfação e a motivação
do trabalho, contribuindo para melhor desempenho e competitividade das
organizações.
Levando esse modelo de gestão para o âmbito
das instituições, é possível desenvolver um trabalho buscando o envolvimento de
todos na luta por uma educação de qualidade.
Para Lück et al.
(2002, p. 15): “o conceito de gestão participativa envolve, além dos docentes e
outros funcionários, os pais, os alunos e qualquer representante da comunidade
que esteja interessado na escola e na melhoria do processo pedagógico.”
A participação em seu
aspecto relevante se dá através da atuação de toda a comunidade escolar, quando
cada membro exerce seu papel de poder decidir junto à gestão, conquistando
espaço para influenciar nos processos administrativos da escola, poder esse
fruto de sua competência e vontade de compreender, decidir e participar em
torno de questões que lhe são dadas.
Sobre Gestão Participativa, assim escreve Luck (1996, p. 37):
O entendimento do conceito de gestão já pressupõe, em si, a idéia de participação,
isto é, do trabalho associado de pessoas analisando situações, decidindo sobre
seu encaminhamento e agindo sobre elas em conjunto. Isso porque o êxito de uma
organização depende da ação construtiva conjunta de seus componentes, pelo
trabalho associado, mediante reciprocidade que cria um “todo” orientado por uma
vontade coletiva.
Desta forma a participação
é um dos meios para alcançar melhor os objetivos da escola, os quais se
localizam na qualidade dos processos de ensino e aprendizagem.
2.2.1 A participação como
forma de organização
A participação refere-se,
segundo definições formais, ao ‘tomar parte’ das ações. Em uma organização
empresarial pode-se considerar a possibilidade dos trabalhadores participarem
efetivamente no setor gerencial.
Conforme
Iida (1989, p. 33): “Uma administração que consiga envolver os próprios
trabalhadores na busca de soluções só poderá obter vantagens, porque não há
ninguém que conheça melhor o trabalho do que eles mesmos”.
É
através da participação que os profissionais se envolvem com os objetivos
propostos e os resultados das organizações, e se sentem parte integrante do
processo, aumentando o nível de interação com a cultura organizacional.
A participação das pessoas nos diversos níveis
de decisão contribui para melhorar a qualidade da estrutura organizacional,
como também a satisfação e a valorização dos colaboradores, harmonizando o
clima organizacional.
Entretanto,
a participação não é uma normalidade das administrações tradicionais. Muitas
gestões conservam seu gerenciamento de forma centralizadora, colocando os
profissionais à margem do seu próprio trabalho. Desperdiçando dessa forma o
potencial de sua equipe, não havendo justiça e equidade entre as pessoas. “De
fato a falta de equidade e justiça são elementos que mais produzem desmotivação
nas organizações” (NAVARRO, GASALLA 2007, p. 100).
De
acordo com Lück (2008, p. 64):
Pela
participação, toda individualidade é mobilizada e representada como uma parte
efetiva do grupo a que pertence e da sociedade como um todo, vindo a
possibilitar o poder produtivo da vida coletiva que permite, ao mesmo tempo, o
atendimento das necessidades individuais como seres sociais e sua possibilidade
de integrar os indivíduos em organizações.
Nesse
sentido é notável que a participação influência diretamente no setor
organizacional, oportunizando aqueles que atuam nesse processo de poderem
sugerir mudanças nesse ambiente.
Como relata Mintzberg (2006, p. 53):
Outras pessoas podem
tornar-se os meios para que as coisas sejam feitas, não o gerente em si, ou
mesmo a substância dos pensamentos do gerente. Se os papéis de informação
dominavam nosso pensamento anterior sobre trabalho gerencial, agora as pessoas
entraram em cena, como entidades ‘motivadas e dotadas de poder.
Na
concepção de Marques (2006, p. 162) é enfatizado que:
[...]
queiramos ou não, gostemos ou não, todas as pessoa aprenderam a pensar, a
desenvolver seus próprios conceitos, ter sua própria visão de mundo. E a gestão
contemporânea tem dois caminhos: ou aprende a ouvir todas as vozes que
‘carregam’ os projetos, e, com isso amplia a ‘diversidade genética’ do ambiente
de decisões e gera um forte processo motivacional, ou mantém-se fechada em sua
redoma e despreza a riqueza intelectual existente, provocando a frustração
daqueles que não são ouvidos e, não raramente, a rebeldia dos que constroem
seus próprios ‘castelos’ dentro das empresas, desenvolvendo seus projetos mais
amplos, com ‘filhos rebeldes sem causa’ das organizações.
No entanto, “a participação
não é sinônimo de envolvimento de todo mundo em tudo” (MCLAGAN E NEL 2OOO, p.
50). Participar é entregar-se de forma a firmar que sua opinião, idéia trará
melhorias a organização, sem, contudo querer se beneficiar em interesse
próprio.
Lück (2008, p. 51) acrescenta:
A participação, é importante
destacar, não se constitui em um fim em si mesma. No entanto, tal situação
parece existir nas práticas de muitas escolas que indicam haver em seu ambiente
um elevado espírito de colaboração, em que as decisões são tomadas de forma
compartilhada, em que pais e docentes auxiliam na construção do projeto
pedagógico da escola – porém, seus resultados referentes à promoção de
aprendizagens significativas para seus alunos continuam os mesmos, sem qualquer
sinal de melhoria.
“A qualidade da educação não depende apenas de
uma gestão democrática, mas de um planejamento participativo e de um projeto
pedagógico eficiente e contextualizado com a realidade da escola”, afirma (VEIGA,
2001, p. 34).
O envolvimento das pessoas e da própria organização
abre espaço para novos paradigmas, mostrando a realidade e permitindo
constantes transformações que direcionam ao crescimento individual e
grupal. A valorização da equipe escolar se
dá pelo respeito mútuo.
Na
opinião de Freire (1975, p. 93):
A
existência humana, porque humana, não pode ser muda, silenciosa, nem tão pouco
pode nutrir-se de falsas palavras, mas de palavras verdadeiras, com que os
homens transformam o mundo. Existir humanamente
é pronunciar o mundo, é modificá-lo. O
mundo pronunciado por sua vez, se volta problematizado ao sujeito pronunciante,
a exigir dele novo pronunciar.
Faz-se necessário,
por sua vez, que a comunidade, os usuários da escola sejam os seus dirigentes e
gestores. Na gestão participativa pais, alunos, docentes e funcionários assumem
sua parte de responsabilidade pelo projeto da escola.
De
acordo com Veiga (2003a, p. 275):
O projeto é um meio de engajamento coletivo
para integrar ações dispersas, criar sinergias no sentido de buscar soluções
alternativas para diferentes momentos do trabalho pedagógico – administrativo,
desenvolver o sentimento de pertença, mobilizar os protagonistas para a
explicitação de objetivos comuns definindo o norte das ações a serem
desencadeadas, fortalecer a construção de uma coerência comum, mas
indispensável, para que a ação coletiva produza seus efeitos.
Pode-se caracterizar o Projeto Político Pedagógico
como um movimento de
luta pela
democratização da escola, que para isso, necessita enfrentar “o desafio da
educação
emancipatória tanto nas formas de organizar o processo de trabalho pedagógico,
como repensar as estruturas de poder “(VEIGA, 2003a, p. 276).
A participação é o principal
meio de assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento
de profissionais e usuários no processo de mudança e no funcionamento da
organização escolar.
Para que essa participação ganhe força
total é preciso utilizar outra ferramenta importante, o diálogo, através dele é
possível criar um ambiente propício a aceitabilidade para as mudanças.
Saber ouvir, aceitar
opiniões e aprender a conviver com a diversidade são requisitos importantes
para a construção de um trabalho coletivo. Como enfatiza Perrenoud (2000, p.
73) “O diálogo é o princípio da observação formativa, da expressão das
representações do aprendiz, da identificação dos obstáculos com os quais se
depara e dos erros que se comete”.
Por meio de um vasto
diálogo torna-se possível a escola ter uma gestão participativa. Mas, para que
este diálogo possa ter algum significado e fazer a diferença é preciso haver
uma liderança que saiba fazer essa articulação.
Esses aspectos são de
extrema importância para o sucesso da organização escolar, uma vez que o grande
diferencial competitivo das organizações contemporâneas são seus recursos
humanos, ou seja, trata-se do envolvimento de pessoas interessadas nas questões
da escola, no seu processo de tomada de decisões.
No
entanto, “não basta à tomada de decisões, mas é preciso que elas sejam postas
em prática para prover as melhores condições de viabilização do processo de
ensino/aprendizagem”. (LIBÂNEO, 2001, p. 326). Portanto a escola é capaz de
prover essas condições dentro de um trabalho organizacional participativo.
2.2.2
A democracia em seu aspecto participativa
A
democratização da gestão até pouco tempo, sinônimo de processo de escolha dos
que vão dirigir, faz parte dos debates atuais, indicando a necessidade de um
olhar crítico para as práticas cotidianas na esperança de que elas possam
funcionar como elementos fundamentais de práticas mais alinhadas com o
pensamento de uma escola comprometida com os interesses do outro.
Como diz Gadotti (1980, p. 4):
A gestão democrática é,
portanto, atitude e método. A atitude democrática é necessária, mas não é
suficiente. Precisamos de métodos democráticos de efetivo exercício da
democracia. Ela também é um aprendizado, demanda tempo, atenção e trabalho.
De uma forma ou outra, desde o início
da década 80, os governantes vem promovendo debates que direcionam para
estratégias mais participativas no que diz respeito à escolha de diretores e de
propostas de uma gestão que viabilize a distribuição das responsabilidades no
ambiente escolar.
A nova Constituição abre espaço para uma gestão
democrática e uma nova forma de ensino com valorização do indivíduo, onde sua
posição social passa a ser formar, (LÜCK, 1998, p. 15), "o
entendimento do conceito de gestão já pressupõe, em si, a idéia de
participação, isto é, do trabalho associado de pessoas analisando situações,
decidindo sobre seu encaminhamento e agir sobre elas em conjunto".
Depois de um longo período de regime
militar de exceção, está se reaprendendo a praticar a democracia. É preciso
ampliar a democracia representativa reconquistada com a participação ativa da
sociedade nos diversos espaços sociais – a democracia participativa. A escola é
um desses espaços.
A gestão escolar democrática é uma forma de
democracia participativa que favorece o exercício da cidadania consciente e
comprometida com os interesses da maior parte da sociedade.
Vale dizer que na
visão de Paro (2000, p. 78):
Se
a verdadeira democracia caracteriza-se, dentre outras coisas, pela participação
ativa dos cidadãos na vida pública, considerados não apenas como “titulares de
direito”, mas também como “criadores de novos direitos”, é preciso que a
educação se preocupe com dotar-lhes das capacidades culturais exigidas para
exercerem essas atribuições, justificando-se, portanto a necessidade de a
escola pública cuidar, de forma planejada e não apenas difusa, de uma autêntica
formação do democrata.
Para
não se perder a idéia de democratização do ensino e uma gestão mais
participativa, em 1996 foi criada uma nova lei: A Lei de Diretrizes e Bases da
Educação n° 9394/96 no Artigo 14, trata dos princípios da Gestão Democrática no
equivalentes, o que garante, uma gestão democrática no ambiente escolar.
As
escolas públicas brasileiras após a criação da lei n° 9394/96, conquistaram o
direito de, efetivamente, refletir a necessidade e a importância da
participação consciente dos diretores, pais, alunos, docentes e funcionários com relação às decisões a serem
tomadas no cotidiano escolar, na busca de um compromisso coletivo com
resultados educacionais mais significativos.
A gestão escolar democrática é hoje um valor
já consagrado em nosso país, embora ainda não seja plenamente compreendida e
aplicada a prática educacional brasileira.
É incontestável sua importância
como recurso para a participação e formação da cidadania, como necessária para
a construção de uma sociedade mais justa, humana e igualitária.
É o que afirma Freire (1992, p. 47):
A solidariedade
social e política de que precisamos para construir a sociedade menos feia e
menos arestosa, em que podemos ser mais nós mesmos, tem na formação democrática
uma prática de real importância. A aprendizagem da assunção do sujeito é
incompatível com o treinamento pragmático ou com o elitismo autoritário dos que
se pensam donos da verdade e do saber articulado.
A gestão permite superar a limitação da fragmentação e da descontextualização
e construir práticas articuladas e resistentes; práticas de trabalho em equipe.
A gestão democrática
participativa pressupõe que o processo educacional só se transforma e se torna
mais eficiente na medida em que seus participantes se conscientizem de que são
responsáveis pelo mesmo, buscando ações direcionadas e oportunizadas. A democracia
pressupõe uma “mudança de mentalidade de todos os membros da comunidade
escolar” (GADOTTI, 1994, p.5).
A democratização da gestão da escola constitui-se numa das tendências atuais
mais fortes do sistema educacional, apesar da resistência oferecida pelo
corporativismo das organizações de educadores e pela burocracia instalada nos
aparelhos de estado, muitas vezes associados na luta contra a inovação
educacional (GADOTTI, 1994, p.6).
A nomenclatura
gestão escolar democrática traz em si o caráter participativo, assim como o
traz a democracia. Por isso é de certa forma redundante a utilização das
expressões “gestão participativa” e “democracia participativa”. Mas “é uma redundância
útil para reforçar uma das dimensões mais importantes da gestão educacional
democrática, sem a qual esta não se efetiva” (LUCK, 2006c, p.27).
A gestão democrática da educação requer mais que mudanças institucionais
requerem mudanças de paradigmas, que fundamentem a construção de novas propostas
educacionais, que faça emergir uma gestão diferenciada.
A democracia
participativa valoriza a comunidade escolar no processo de tomada de decisão,
apostando na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola
através do diálogo e do consenso.
É o que lembra Veiga (2003b, p. 115):
É necessário considerar a
inter-relação das instancias colegiada. Esse é um desafio: o compromisso e a
participação ativa dos integrantes da comunidade escolar, mobilizados pela
reflexão crítica, de projetarem-se para o futuro.
No
entanto, deparamos ás vezes com uma realidade onde a participação efetiva da
sociedade, ainda é pequena demais no envolvimento do processo de gerenciamento
escolar, em busca de um ensino de qualidade, como diz Paro (2007, p. 19): “[...]
Democracia não se concede, se realiza [...]”.
Para se consolidar a
gestão participativa e, portanto, democrática, a escola deve buscar comportamentos
de inovação e mudança no contexto de suas atuações prático-pedagógicas e
culturais, sob pena de permanecer na exclusão social e no fracasso escolar como
um todo, se assim não o fizer, portanto pensar a gestão escolar democrática participativa
engloba também, “ampliar os horizontes históricos, políticos e culturais das
instituições educativas, objetivando-se alcançar mais autonomia” (BRASIL, 2005a,
p 46).
De acordo com Penin
& Vieira (2002, In: VIEIRA, 2002, p. 13), a escola sofre mudanças relacionando-se
com os momentos históricos. “Sempre que a sociedade defronta-se com mudanças
significativas em suas bases sociais e tecnológicas, novas atribuições são
exigidas à escola”.
Desta maneira a
escola chegará perto de uma atribuição relevante que é promover a cidadania e
conseqüentemente estará dando uma ferramenta valiosa para sua construção pela
participação. Não haverá democracia sem a participação.
Participar da gestão
democrática da escola significa dizer que todos se sentem e efetivamente são partícipes
do sucesso ou do fracasso da escola em todos os seus aspectos: físico,
educativo, cultural e político.
Emerge, assim, um novo processo educativo, no qual a gestão escolar democrática
participativa adquire dimensão articuladora dos recursos humanos, burocráticos
e financeiros, objetivando o cumprimento da essência da educação: “fazer da
educação, tanto formal, quanto não formal, um espaço de formação crítica”
e não apenas “ formação de mão de obra para o mercado” (GADOTTI, 2006,
p.52).
Isso significa usar o
ambiente escolar como um recurso de Educação para todos, na perspectiva do
“aprender a viver juntos”, de tal forma que os espaços públicos possam ser
respeitados, de modo ativo, satisfazendo a todos.
“A
qualidade da educação não depende apenas de uma gestão democrática, mas de um
planejamento participativo e de um projeto pedagógico eficiente e
contextualizado com a realidade da escola”, afirma Veiga (2001, p. 34).
A escola é uma organização viva e
dinâmica, que compartilha de uma totalidade social.
2.3 O PAPEL DO GESTOR
ESCOLAR
O
grande desafio do mundo moderno é desenvolver a qualificação e o potencial das
pessoas para se obter maior comprometimento com os resultados que se deseja
alcançar, criando condições mais favoráveis à inovação e ao aprimoramento tanto
pessoal como institucional.
A
educação e, a escola, em especial, não pode fugir a esse ofício. “A educação
assim concebida indica uma função da escola voltada para a realização plena do
ser humano, alcançada pela convivência e pela ação concreta, qualificadas pelo
conhecimento” (PENIN, 2001, p. 55).
A vivência de uma
metodologia participativa em que as relações solidárias de convivência
pontificam, provocam, mesmo que lentamente, a efetivação de uma nova ordem
social, iniciando pela parcela menor, que é a escola. Faz-se necessário
promover à comunidade escolar a vivência de uma nova dimensão da vida social,
na qual não participe só da execução, mas também da discussão dos rumos da
instituição escolar. Em outras palavras, sendo presença ativa e criativa no
ambiente escolar.
Como
diz Abreu (2001, p. 112):
Educar para a cidadania
significa educar pessoas capazes de conviver, comunicar e dialogar num mundo
interativo, nesta nova realidade em que os indivíduos reconhecem a
interdependência dos processos individuais e dos processos coletivos.
A gestão participativa preocupa-se em promover um
ambiente propício ao diálogo, que alimente o convívio, visando envolver todas
as pessoas da instituição escolar na busca comum e na responsabilidade pelo
todo da instituição.
Daí
a importância de ter um gestor que saiba fazer essas articulações da melhor
forma possível, pois a comunicação é fundamental nesse processo.
É o
que afirma Abreu (2001, p. 114):
O
diálogo só existe quando as partes estão no mesmo plano. Não há diálogo quando
uma das partes tem uma arma, física ou simbólica, apontada para cabeça do
outro. Não é diálogo a fala de quem manda do alto do trono e quer que o outro
aceite os seus argumentos. Diálogo supõe igualdade, relação intersubjetiva, e
não imposição de vontade pessoal, calcada no cargo ou função que detém.
A
participação deve ser atendida como um processo de aprendizagem que demanda
espaços sociais especifica para sua concretização, tempo para que a idéia seja
debatida e realizada, levando em consideração o esforço de todos aqueles preocupados
com a formação de uma escola verdadeiramente democrática.
Na
concepção de Lück (2008, p. 51):
A ação participativa hábil em educação
é orientada pela promoção solidária da participação por todos da comunidade
escolar, na construção da escola como organização dinâmica e competente,
tomando decisões em conjunto orientadas pelo compromisso com valores,
princípios e objetivos educacionais elevados, respeitando os demais
participantes e aceitando a diversidade de posicionamentos e características
pessoais.
A liderança
participativa é uma estratégia empregada para aperfeiçoar a qualidade educacional.
É a chave para liberar a riqueza do ser humano que está presa no sistema de ensino,
pois, “O gestor deve manter uma relação o mais permanente possível com os que
compõem a escola” (ABREU, 2001, p. 123).
Saber
ouvir opiniões diferentes e aprender a lidar com a diversidade são características
necessárias ao diretor para levar à frente uma proposta de trabalho coletivo. “É
preciso trabalhar a diversidade de pontos de vista ou de comportamentos como
fator de enriquecimento para o grupo e como forma de ampliar a visão particular
de cada um na escola” (ABREU, 2001, p. 112). O gestor da escola é e deve ser
antes de tudo um educador.
Nas escolas eficazes, os gestores agem como líderes pedagógicos,
apoiando o estabelecimento nas prioridades, avaliando os programas pedagógicos,
organizando e participando dos programas de desenvolvimento de funcionários e
também enfatizando a importância de resultados alcançados pela equipe.
De acordo com Abreu (2001, p. 118):
A presença de um líder é
indispensável na vida de uma equipe, e coordená-la requer procedimentos que
permitam criar um clima de participação democrática que supere o autoritarismo,
o individualismo, a centralização do poder, etc.
Os gestores também agem como líderes em
relações humanas, enfatizando a criação e a manutenção de um clima escolar
positivo e a solução de conflitos, o que inclui promover uma educação
significativa, mantendo uma disciplina eficaz na escola, já que Abreu
esclarece: “Uma educação que possibilite uma convivência harmônica e
enriquecedora entre os indivíduos pressupõe o reconhecimento da diversidade” (Idem,
2001, p. 112).
O
clima harmônico de uma escola provém, basicamente, dos educadores que nela
atuam. São eles que determinam as relações internas, através do acolhimento, da
aceitação, da empatia, da real comunicação, do diálogo, do ouvir e do escutar,
do partilhar interesses, preocupações e esperanças.
Para desencadear uma
ação educativa participativa, o grupo abre-se ao diálogo, a comunicação, entra
em “contato” com a outra pessoa, só o conseguindo no, na empatia. O homem ser
de relações tem na convivência e no relacionamento elementos para seu crescimento
pessoal. (DALMÁS, 1994,
p.40).
Dentro
desta concepção o gestor, deve revestir-se de esforços voltados para o desenvolvimento
de conhecimentos, habilidades e atitudes, para que a sua atuação participativa
torne-se gradativamente mais eficiente.
Devido a sua posição central na escola, o gestor,
no desempenho de seu papel, exerce forte influência sobre todos os setores e
pessoas da escola, tendo que saber ouvir e falar nos momentos certos. “É
importante que o gestor ouça mais e fale menos e esteja sempre pronto para
ouvir todos” (ABREU, 2001, p. 119).
Em sua gestão, deve ser um
articulador dos diferentes segmentos escolares em torno do projeto político pedagógico
da escola. Quanto maior for essa articulação, melhor poderão ser desempenhadas
as suas próprias tarefas, seja no aspecto organizacional da escola, seja em relação
à responsabilidade social para com a comunidade. “A liderança se constrói a
partir de trabalho conjunto e compartilhado”, como acrescenta Lück (2008, p.
127).
O gestor articulador deve exercer sempre uma
liderança na escola, capaz de dividir o poder de decisão e de deliberação sobre
os assuntos, estimulando a participação de todos.
É nesse
pensamento que Abreu (2001, p. 119), cita alguns aspectos importantes para as
relações interpessoais na escola:
·
Empreendedor - para conseguir
resultados;
·
Dinâmico - para assimilar e
aplicar novas técnicas e novas abordagens;
·
Flexível – para mudar comportamentos e pontos de
vista;
·
Criativo – para desenvolver alternativas de decisões
e/ou soluções de problemas;
·
Atualizado – para acompanhar os avanços da sociedade;
·
Adaptável – para enfrentar
situações novas;
·
Decidido - para enfrentar
desafios e riscos;
·
Técnico – para promover a
ação, o “como fazer”.
Alguns
desses aspectos, alguns princípios devem nortear o trabalho do gestor para o
desenvolvimento das pessoas que convivem na escola:
·
Interação – união de idéias e
ações, buscando o respeito mútuo.
·
Democracia – o processo de
participação, aprendizagem contínua da capacidade crítica e da autonomia. Todos
têm a mesma oportunidade de participar e de serem cidadãos.
·
Liberdade
responsável – exercer o direito de elaborar em equipe as próprias regras de
convivência. Deve existir liberdade para pensar e ser, ser e fazer, e compreensão
do significado da liberdade do outro.
·
Cooperação – pratica-se no
dia-dia, exercício de crescimento para o desenvolvimento coletivo e individual,
numa ação participativa que vise atingir, de forma compartilhada, resultados
satisfatórios para a equipe e não apenas realizações pessoais.
Desta forma o gestor assume seu papel
nos vários segmentos que norteiam o trabalho escolar de uma forma participativa
e democrática.
2.3.1
A descentralização e a conquista da autonomia
Por que hoje há
tendência à descentralização? Conforme Machado (1999, p. 86),
é porque o mundo passa por mudanças muito
rápidas. Na verdade, a globalização coloca cada dia um dado novo, cada dia, uma
coisa nova. Há necessidade de adaptação e de constante revisão do que está
acontecendo. Então, isso gera a necessidade de que o poder decisório esteja
exatamente onde à coisa acontece. Porque, até que ele chegue aonde é
necessário, já houve a mudança, as coisas estão diferentes, e aí aquela decisão
já não tem mais sentido.
É preciso reconhecer que a descentralização tem sido praticada tendo
como pano de fundo não apenas essa perspectiva de democratização da sociedade,
mas também a de promover melhor gestão de processos e recursos e, ainda, como
condição de aliviar os organismos centrais que se tornam sobrecarregados com o
crescimento exponencial do sistema educativo.
É importante registrar que o que normalmente se descentralizam são
recursos e espaços para a tomada de decisão, mas que, como a cultura escolar
não está criada e estabelecida para fazê-lo, adequadamente, centralizam-se
ações no sentido de criar mecanismos de influência sobre a escola para fazê-lo
e prestar contas do processo.
Barroso (1997, p. 11) afirma que:
O Estado devolve (para as escolas) as táticas,
mas conserva as estratégias, ao mesmo tempo em que substitui um controle
direto, centrado no respeito das normas e dos regulamentos, por um controle remoto,
baseado nos resultados.
A descentralização da educação é, por certo, um processo extremamente
complexo e, quando se considera o caso do Brasil, a questão se dificulta ainda
mais, por tratar-se de um País continente, com uma diversidade grande, com distâncias
imensas que caracterizam, também, grande dificuldade de comunicação, apesar de
se viver na era da comunicação mundial em tempo real.
Cabe aqui aplicar
os princípios da participação propostos no sentido de que participação é
conquista. Desse modo, “a descentralização educacional não é um processo
homogêneo e praticado com uma única direção. Ela responde à lógica da
organização federativa” (Parente, Lück, 1999, p. 7).
Como se trata de um processo que se refere à transferência de
competências para outros níveis de governo e de gestão, do poder de decisão
sobre os seus próprios processos sociais e os recursos necessários para sua
efetivação, implica existência ou construção de competência para tanto, daí
porque a impossibilidade da homogeneidade apontada.
O nível de experiência associada à competência dos
grupos sociais é fato fundamental na determinação da amplitude do processo.
Segundo Florestal e Cooper (1997, p. 32), “desconcentração é ato de
conferir autoridade a um agente situado em um nível inferior na mesma
hierarquia e localizado mais próximo dos usuários do serviço”, levando ao
entendimento de que esses agentes mantêm-se sob o controle hierárquico do
governo central.
Conforme apontado por Parente e Lück (Idem, p. 13), o que vem ocorrendo
na prática educacional brasileira “[...] é o deslocamento do processo
decisório, do centro do sistema, para os níveis executivos mais próximos aos
seus usuários”, ou seja, a descentralização do governo federal para as
instâncias subnacionais, onde a União deixa de executar diretamente programas
educacionais e estabelece e reforça suas relações com os Estados e os
municípios, chegando até ao âmbito da unidade escolar.
A descentralização é, pois, um processo que se estende, à medida que vai
sendo praticado, compondo, portanto, uma prática dinâmica de implantação de
política social, constituída pela formação da capacidade organizacional para
elaborar seu projeto educacional (descentralização pedagógica), mediante a
gestão compartilhada e a gestão direta de recursos necessários à manutenção do
ensino. Portanto, construindo sua autonomia.
Conforme coloca o Consed (2007, p. 6):
A gestão compartilhada facilitou a
integração dos pais/responsáveis por alunos na escola e a descentralização
tornou mais fácil e transparente todo o processo da gestão, prestando-se conta
de “tudo” para a comunidade.
A autonomia é um processo complexo, dinâmico, porém necessário ao desenvolvimento
e aprimoramento das instituições. Tem principio o atendimento da “necessidade e
orientação humana da liberdade e de independência, espaços e oportunidades para
a iniciativa e a criatividade que são impulsionadoras do desenvolvimento”
(KARLING,1997, apud Luck, 2006b, p.15)
Nas sociedades contemporâneas o poder é exercido não mais pelo controle
direto e coercitivo, mas de forma profunda, embora mais sutil, mediante a
produção de identidades. A liberdade humana é uma liberdade limitada. “O homem
não é livre de certas condições. Mas é livre para tomar posições diante delas.
As condições não o condicionam inteiramente” (SILVA 1996, p.86).
A autonomia é a conquista que ocorre mediante um processo de humanização
que exige liberdade para que apareça com responsabilidade.
Não basta querer
que a unidade escolar se torne autônoma e nem mesmo autorizá-la, mediante
decretos, a isso. É necessário investir recursos na formação de sujeitos
coletivos que possam assumir o comando dessa autonomia. (SILVA, p.117)
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96) estabelece em
seu artigo 15 que os sistemas de ensino oportunizarão as escolas públicas da educação
básica progressiva graus de autonomia pedagógica administrativa e financeira
seguindo as normas gerais do direito financeiro público.
O conceito de autonomia está relacionado a tendências mundiais de globalização
e mudança de paradigmas. Descentralização de poder, democratização de ensino,
autogestão, flexibilização, cooperativas, são alguns conceitos relacionados a
essas mudanças.
“A autonomia escolar evidencia-se como uma necessidade quando a sociedade
pressiona as instituições para que promovam mudanças urgentes e consistentes” (LUCK,
2006b, p. 62).
Na visão de Luck (Idem, p. 64):
A aproximação entre
tomada de decisão e ação não apenas garante a maior adequação das decisões e
efetividade das ações correspondentes, como também é condição de formação de
sujeitos de seu destino e maturidade social.
“A autonomia não é um valor absoluto, mas sim um valor que se determina nas
relações de interação social. Possui quatro dimensões básicas articuladas entre
si: administrativa, jurídica, financeira e pedagógica” (VEIGA, 2003ª, p. 97).
Como
escreve Libãnio (2003, p. 333): “A autonomia é o fundamento da concepção democrático-participativo
de gestão escolar”. Uma escola autônoma tem a livre decisão de buscar recursos
que viabilize melhor a estrutura organizacional.
3
MARCO
METODOLÓGICO
Este capítulo
apresenta os procedimentos metodológicos utilizados para a realização desta
pesquisa. Para Inácio Filho (2004, p. 71): “metodologia consiste em um conjunto
de procedimentos e técnicas utilizadas no processo de investigação, incluindo
os aspectos relacionados à como fazer a pesquisa”.
A pesquisa é a
atividade básica das Ciências em seus questionamentos a respeito da realidade
humana.
O presente estudo
desenvolveu-se dentro das características de pesquisa aplicada, cuja natureza
de objetivos metodológicos fundamentou-se de forma bibliográfica, através dos
procedimentos de estudo de caso, utilizando a abordagem qualitativa.
O estudo de caso é a
análise profunda de uma unidade de estudo. “Visa ao exame detalhado de um
ambiente, de um sujeito ou de uma situação em particular” (GODOY, 1995b, p.
25).
O tipo de pesquisa utilizado foi o descritivo
de caráter qualitativo em conformidade com os objetivos propostos. “O trabalho
de descrição tem caráter fundamental em um estudo qualitativo, pois, é por meio
dele que os dados são coletados” (MANNING, 1979, p. 668).
Aplicou-se o Método Hermenêutico, por meio da Técnica indutiva para a análise dos dados, baseado em categorias principais
que conseqüentemente deram origem às categorias específicas, construídas pela
interpretação das idéias presentes nos Instrumentos de Coleta de Dados (ICD) - questionário.
Segundo Diogo (1998,
95) a pesquisa qualitativa “é uma estratégia de investigação que tem por
objetivo analisar uma situação autêntica na sua complexidade real”.
A Fase Preparatória desta pesquisa se deu através
dos levantamentos de dados que estabeleceu a operacionalização. A Fase de
Trabalho de Campo foi utilizada para
selecionar os participantes da pesquisa que estavam lotados em três escolas
municipais e para selecionar os ICD da pesquisa, que foi através de questionário
híbrido, a seguir passou-se para Fase Analítica, que se efetivou através da
análise das informações coletadas e por fim, a Fase Informativa, que se concluiu com as relações que compunham
a problemática.
3.1 POPULAÇÃO ALVO E AMOSTRA
Foram utilizados nesta pesquisa o total
de seis gestores, três coordenadores pedagógicos e setenta e oito docentes,
perfazendo oitenta e sete profissionais da Educação lotados em três escolas
municipais da sede do Município de Caracaraí.
Como amostra utilizou-se três gestores
(50 %), do total existente, três coordenadores, (100 %) dos coordenadores e
trinta e nove docentes (50 %) da população alvo. Estabelecido o critério de
utilizar os profissionais distribuídos de forma igualitária em cada escola, ou
seja, um gestor, um coordenador pedagógico e treze docentes por escola.
3.2 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
A
pesquisa deu-se por meio de aplicação de questionários compostos de questões
pré-elaborados, sistemático e seqüencialmente disposto em itens que constituem
o tema de pesquisa e aplicados com caráter
fechado e aberto.
Foram cumpridas todas as etapas previstas na pesquisa,
seguindo um padrão de abordagem motivadora sempre voltada para a análise de
valores implícitos utilizados como ferramenta.
Foram aplicados alguns Instrumentos de Coletas de Dados –
ICD.
ICD – 1 utilizando-se da hermenêutica buscou-se a
identificação da metodologia usada pelos gestores do Município de Caracaraí com a distribuição de questionário a três gestores (50 %),
do total existente, três coordenadores, (100 %) dos coordenadores para dar sustentação às conclusões da pesquisa, conforme
apêndice A.
ICD – 2
questionário aplicado a trinta e nove docentes (50%) da rede municipal lotados
na sede do Município escolhidos entre os pesquisados que se dispuseram a
responder de forma estruturada,
individual e escrita, conforme apêndice B.
O questionário foi realizado
com o objetivo de conhecer o quanto os gestores e docentes conheciam sobre a
estrutura organizacional da escola e a visão dos docentes com relação às
tomadas de poder que influenciam nas decisões.
3.3 DESIGN
DA PESQUISA
|
Objetivos Específicos
|
Tipo de Pesquisa
|
Métodos Usados
|
Técnica usada
|
ICD
|
|
a) Investigar que instrumentos são
utilizados pela gestão para viabilizar os trabalhos;
|
a)Qualitativa
b)Descritiva;
|
a)Hermenêutico.
b)Analítico.
c)Indutivo.
|
a)Interpretação.
b)Análise e
síntese.
c)Coleta de dados.
|
ICD 1 -
Questionário.
ICD 2 –
Questionário
|
|
b) Analisar como se dá
a articulação entre gestão e a equipe escolar;
|
ICD 1 –
Questionário.
ICD 2 –
Questionário.
|
|||
|
c) Verificar se a gestão é atuante
no processo organizacional da escola.
.
|
ICD 1 –
Questionário.
ICD 2 - Questionário.
|
Quadro 1 – Design da pesquisa.
4 ANÁLISE E
DISCUSSÃO DOS DADOS
Com o objetivo de facilitar a compreensão da
pesquisa, considera-se importante explicitar a forma como foi tratada a
transcrição, apresentação e análise dos dados coletados nos questionários.
Para
a apresentação dos dados, optou-se por agrupar as respostas obtidas em quadros.
Para
o tratamento dos dados obtidos, fez-se uso de ferramentas da análise
qualitativa que indutivamente possibilitaram a interpretação dos questionários
aplicados aos profissionais da educação.
A análise qualitativa é, em síntese, “o fato de que a inferência (sempre
que é realizada) está fundada na presença do índice (tema, palavra, personagem)
e não sobre a freqüência de sua aparição em momentos individuais” (BARDIN,
1977, p.87).
A pesquisa qualitativa busca caminhos que revela fatos, fenômenos, considerando
valores, emoções e visões de mundo, na análise da realidade.
A
seguir serão apresentadas as características dos oitenta e sete profissionais
da educação, referente à idade e o grau de instrução de todos. Trinta
profissionais possuem entre 20 e 30 anos, quarenta e cinco, possuem entre 30 e
40 anos, dez profissionais possuem entre 40 e 50 anos e dois possuem mais de 50
anos.
Observou-se
com isso que a maioria dos participantes da pesquisa está na faixa de 30 e 40
anos, mostrando assim um grau de vivência e experiência considerável.
Com
relação ao grau de instrução, vinte e dois possuem o Ensino Médio (Magistério)
completo, vinte e cinco estão concluindo a graduação e 40 possuem graduação,
com isso, foi possível notar que a maioria dos participantes possui graduação,
mostrando assim que o grau de conhecimento está mais elevado.
Alguns profissionais ainda
possuem somente o magistério, o que deixa algumas lacunas para serem
preenchidas, pois sabe-se que a valorização do profissional cresceu bastante
nos últimos tempos.
A Constituição Federal, 1988, estabelece a necessidade de assegurar
estatutos, planos de carreira e valorização profissional, o que é regulamentado
no artigo 67 da LDBEN: “os sistemas de ensino promoverão a valorização dos
profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos
e dos planos de carreira do magistério público”.
A formação dos profissionais de
ensino sofreu reformulações com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (BRASIL, 1996) e com as resoluções que a sucederam.
A LDBEN (BRASIL, 1996) nos artigos
61 a 67, contempla os profissionais da educação, estabelecendo as finalidades,
os fundamentos e os níveis da formação para a educação básica e educação
superior, definindo locais de formação, prática de ensino, experiência docente
como pré-requisito para exercer outras funções do magistério, além de assegurar
itens que promovam a valorização dos profissionais da educação nos estatutos e
planos de carreira.
Antes de apresentar o quadro
com as perguntas objetivas feitas aos gestores, coordenadores e docentes, foi
feita uma pergunta subjetiva a eles que dizia assim: Na sua concepção o que é
uma gestão participativa? E dos oitenta e sete, todos obtiveram a mesma
resposta, só que em palavras diferentes, mas, com o mesmo sentido, dizendo que
seria o envolvimento de toda a equipe escolar.
Percebeu-se assim que todos
tinham uma opinião formada referente à pergunta e que teoricamente todos sabiam
sua finalidade, e, que nada mais é que uma caracterização que envolve todos à
uma responsabilidade de assumirem uma prática consciente.
Conforme escreve Marques
(1987, p. 69): “a participação de todos, nos diferentes níveis de decisão e nas
sucessivas fases de atividades, é essencial para assegurar o eficiente
desempenho da organização”.
Mas, no entanto Lück
acrescenta (2008, p. 30) que:
É importante que a participação seja entendida como um processo
dinâmico e interativo que vai muito além da tomada de decisão, uma vez que
caracterizado pelo interapoio na convivência do cotidiano da gestão
educacional, na busca, por agentes, da superação de suas dificuldades e
limitações do enfrentamento de seus desafios, do bom cumprimento de sua
finalidade social e do desenvolvimento de sua identidade social.
Ter o conhecimento
do que é a gestão participativa, é importante para o desempenho da qualidade da
organização.
A seguir o quadro com as perguntas fechadas aos três
gestores e três coordenadores das três escolas municipais da sede de Caracaraí,
onde foram analisadas suas respostas, pois, foi aplicado o mesmo questionário a
eles.
QUADRO QUALITATIVO
|
PERGUNTAS
|
RESPOSTAS
|
QUANTIDADE
|
|
|
1- Existe o Projeto Político
Pedagógico na escola?
|
Sim
Não
|
02
04
|
|
|
2– O Projeto Político Pedagógico está atualizado?
|
Sim
Não
|
02
04
|
|
|
3- O Projeto Político Pedagógico foi elaborado com a participação da
comunidade escolar?
|
Sim
Não
|
02
04
|
|
|
4- O Projeto Político Pedagógico encontra-se atualizado conforme
legislação vigente?
|
Sim
Não
|
02
04
|
|
|
5- A escola oferece atendimento aos alunos que apresentam dificuldade
de aprendizagem?
|
Sim
Não
|
04
02
|
|
|
6- Os pais são informados
sobre o rendimento escolar dos filhos?
|
Sim
Não
|
06
00
|
|
|
7- A comunidade escolar participa das tomadas de decisão junto à
gestão?
|
Sim
Não
|
06
00
|
|
|
8- A escola oferece eventos educativos ou culturais para a comunidade
escolar?
|
Sim
Não
|
06
00
|
|
Quadro 1 Questionário
aplicado aos Gestores e Coordenadores Pedagógicos.
Fonte:
dados coletados pelo pesquisador – 2011.
Ao final do questionário foram
elaboradas duas perguntas abertas:
9- Quais os fatores
que favorecem a participação dos funcionários nas discussões e decisões da
escola;
10- Quais os
fatores que dificultam essa participação nas discussões e decisões da escola.
A primeira questão relacionada ao Projeto Político
Pedagógico (PPP), mostrou que apenas um gestor e um coordenador disseram
possuir este projeto em sua escola.
Sabe-se que o PPP é uma ferramenta de grande relevância
para o desenvolvimento da estrutura organizacional da escola. Procurar
compreender a escola como uma cultura com identidade própria é descobrir seus
valores, atitudes, imagens da realidade, manifestações verbais e não verbais. “Significa conhecer seu projeto de ação, fruto da
ação coletiva dos participantes da escola” (SILVA, 1996, p. 49).
A prática da gestão não se esgota no âmbito
da instituição escolar nem se reduz à ação dos gestores nos processos
administrativos e pedagógicos. Deve ter em conta um projeto pedagógico,
assegurado por organização do trabalho escolar colegiado, envolvendo, se
possível, todos os personagens que atuam na escola - pois uma prática que dê
respostas a alguns problemas existentes é uma construção coletiva na qual devem
comprometer-se diferentes ações individuais (DE ROSSI, 2004, p. 36-37).
A segunda e quarta questão
referiu-se a atualização do Projeto Político Pedagógico de acordo com a
legislação, e o mesmo gestor e coordenador, afirmaram que o projeto de sua
escola está atualizado.
A atualização do projeto mostra o
perfil de uma escola que acompanha as mudanças da sociedade em todos os
aspectos
Na terceira questão abordou-se sobre a
participação da comunidade escolar, onde os mesmos afirmaram a efetiva
participação. O envolvimento de todos na construção desse projeto, fortalece os
laços de união e convivência harmônica.
Como lembra Lück (2008, p. 71):
Aos docentes, alunos e pais de alunos cabe perceber que
eles constroem a realidade escolar desde a elaboração de seu projeto pedagógico
até a efetivação de sua vivência e ulterior promoção de transformações
significativas.
A elaboração do Projeto Político
Pedagógico é um processo de vivência democrática. Por isso, caminhos e
descaminhos, erros e acertos não são somente responsabilidade da equipe
coordenadora, mas, de todos.
Participação é a intervenção dos
profissionais da educação na gestão da escola, articulando o caráter interno e
externo. O caráter interno refere-se a questões pedagógicas, curriculares e
organizacional, compreendendo a escola como local de aprendizagem de
conhecimentos e desenvolvimento de capacidades intelectuais, sociais, afetivas,
éticas e estéticas, favorecendo a participação na vida social, econômica e
cultural.
“O caráter externo pelo qual a
comunidade escolar compartilha processos de decisão é um dos meios de fazer a
escola sair de sua “redoma” e conquistar o status de comunidade educativa que
interage com a sociedade civil” (LIBÂNEO, 2005, p. 328).
Na quinta questão todos os gestores e coordenadores
disseram que a escola oferece atendimento aos alunos que apresentam dificuldade
de aprendizagem, isso é um ponto importante, pois mostra que as escolas se
preocupam com o ensino e aprendizagem dos alunos e é ratificado pela expressão
utilizada por Lück (1999, p. 15):
A tendência no modelo de gestão escolar
democrática vem orientando os dirigentes educacionais no que se refere à
qualidade de aprendizagem dos alunos, de modo que conheçam a sua realidade, a
si mesmos e as contradições de enfrentamento dos desafios do dia-a-dia.
Na sexta questão todos disseram que informam aos pais
sobre o rendimento de seus filhos, com isso foi possível observar que as
escolas trabalham em parceria com os pais.
Na sétima questão foi informado por unanimidade dos
pesquisados que as decisões são tomadas juntamente com a participação da comunidade
escolar, o que significa que a equipe escolar influencia em sua organização
Como enfatiza Lück (2008, p. 44):
Participar implica
compartilhar poder, vale dizer, compartilhar responsabilidades por decisões
tomadas em conjunto como uma coletividade e o enfrentamento dos desafios de
promoção de avanços, no sentido da melhoria contínua e transformações
necessárias.
Na oitava questão todos
novamente informaram que oferecem eventos educativos ou culturais para a
comunidade escolar. Percebeu-se com isso que as escolas valorizam a diversidade
existente no ambiente escolar, pois, é sabido que a cultura é um requisito que
não pode ficar fora do contexto educacional.
“A construção da história
e da cultura de uma escola depende de todos. Sem partilha, não se cria uma
cultura positiva para a escola” (ABREU, 2001, p. 107).
A nona e a décima questão, como
foram perguntas abertas, foram obtidas respostas diferenciadas, devido à
interpretação que cada um fez, e das três escolas participantes, apenas um
gestor e um coordenador disseram com clareza o seu entendimento em relação aos
fatores que favorecem a participação dos funcionários, respondendo que um
desses fatores são as reuniões administrativas e pedagógicas.
E a outra pergunta foi sobre os fatores que dificultam essa
participação, e os mesmos disseram que a falta de comunicação é o que dificulta
essa participação. Os outros participantes deram respostas dizendo o que
significava a palavra fator, mas, com o sentido de participar, não responderam
quais fatores, e com isso foi levada em consideração a intenção dos mesmos.
Nestas últimas questões foi possível analisar que, quando se faz uma
pergunta aberta, ocorre certa contradição, pois, a maioria dos participantes
informou na questão sétima que a comunidade escolar participa das tomadas de decisão,
mas, não souberam informar que fatores contribuem e dificultam essa
participação com clareza.
A seguir será apresentado o quadro com as perguntas fechadas aos trinta
e nove docentes de três escolas municipais da sede de Caracaraí. Antes também
foi feita uma pergunta objetiva sobre o que é uma gestão participativa, onde
todos responderam com clareza que é o envolvimento de todos na escola, mas, com
palavras diferentes, mostrando assim que todos têm uma concepção formada sobre
o assunto.
QUADRO QUALITATIVO
|
PERGUNTAS
|
RESPOSTAS
|
QUANTIDADE
|
|
1-
A missão e os objetivos da
organização são disseminados/espalhados entre as pessoas
|
Sempre
Com freqüência
Às vezes
Raramente
Nunca
|
00
13
26
00
00
|
|
2– Você tem acesso às informações sobre tecnologias, orçamentos,
finanças, projetos, programas e estratégia da instituição?
|
Sempre
Com freqüência
Às vezes
Raramente
Nunca
|
10
00
20
09
00
|
|
3- A sua opinião é levada em consideração e aproveitada na prática?
|
Sempre
Com freqüência
Às vezes
Raramente
Nunca
|
03
16
16
04
00
|
|
4- É assegurada a igualdade de participação a todas as pessoas?
|
Sempre
Com freqüência
Às vezes
Raramente
Nunca
|
00
16
20
03
00
|
|
5- São diversos os tipos de cargos das pessoas que participam das
discussões e decisões?
|
Sempre
Com freqüência
Às vezes
Raramente
Nunca
|
00
10
20
09
00
|
|
6- A gestão considera
importante a participação de todos na detecção de possíveis falhas no
processo de organizacional?
|
Sempre
Com freqüência
Às vezes
Raramente
Nunca
|
03
10
20
06
00
|
|
7- A gestão e as equipes discutem entre si formas de melhorias nos
processos de organização?
|
Sempre
Com freqüência
Às vezes
Raramente
Nunca
|
05
09
15
07
00
|
|
8- As equipes são autorizadas a gerenciar suas atividades e tomar
suas decisões?
|
Sempre
Com freqüência
Às vezes
Raramente
Nunca
|
05
08
20
03
03
|
Quadro 2 Questionário aplicado aos Docentes.
Fonte:
dados coletados pelo pesquisador – 2011.
Na
primeira questão foi abordado sobre os objetivos da escola, se são espalhados
entre as pessoas, e a maioria que correspondeu a vinte e seis docentes disseram
que às vezes isso acontece, ficando uma minoria de treze docentes que disseram
acontecer com freqüência.
Nesta questão foi possível analisar que a comunicação
ainda está fragmentada, mostrando que falta mais interação entre gestão e a
equipe escolar, pois, sabe-se que o diálogo é o melhor caminho para o sucesso
da escola e a divulgação dos objetivos é de suma importância.
Como afirma Lück (2008, p. 117):
A
comunicação, para esse fim, envolve reciprocidade, circularidade,
interatividade, diálogo e retroalimentação (feedback). Sem estas
características, sem o sentido de “dupla mão”, o que se pode ter é apenas
informação, que corresponde a um componente da comunicação, ficando esta
truncada.
Na
questão seguinte falou-se sobre a acessibilidade das informações referente a
orçamentos, projetos e estratégias da escola, se os docentes têm esse acesso.
Constatou-se que dez docentes disserem ter sempre esse acesso, vinte
responderam que às vezes possuem estas informações e nove disseram que
raramente tem acesso as mesmas.
Com
isso verificou-se que aparentemente não há divulgação dos processos inerentes à
escola, onde deveria ser socializado com todos, visto que, todos os processos
da escola precisam ser disseminados.
É
o que diz Lück (2008, p. 97):
É necessário que os gestores escolares, em sua
atuação, adotem ações voltadas para a adequação entre a geração e a
disseminação de informações, com as linhas de ação pedagógica da escola e de
desenvolvimento cultural e profissional de docentes voltados para a participação na gestão escolar.
Na
terceira questão relacionada à opinião dos docentes, três disseram que a sua
opinião sempre é levada em consideração e colocada em prática, dezesseis
disseram que isso acontece com freqüência, também dezesseis disseram que às
vezes ocorre essa prática e quatro disseram que raramente isso acontece.
Nesta questão pôde ser visto que
não há certa atenção para a opinião dos docentes, já que isso ocorre com
freqüência e em alguns momentos chega a acontecer às vezes.
Foi possível perceber que houve
insatisfação por parte de alguns docentes quando disseram que raramente isso
acontece, mas analisando dessa forma, é um fato que poderá fazer diferença
futuramente na escola.
Como coloca Lück (2008, p. 137),
“manter certo nível de insatisfação com os resultados faz parte da melhoria
contínua e desenvolvimento de novas competências”.
Na
questão seguinte foi abordado sobre a igualdade de participação entre as
pessoas, se esta é assegurada e obteve-se nas respostas que dezesseis docentes
disseram que esta participação é assegurada com freqüência, vinte disseram que
às vezes isso acontece e três afirmaram que raramente essa participação é
assegurada.
A
participação é um processo que deve ser praticado por todos independente de
qualquer circunstância, é um direito que tem que ser assegurado a todos. “A
participação constitui uma forma significativa, ao promover maior aproximação
entre os membros da escola, reduzir desigualdades entre eles” (LÜCK, 2008, p.
57).
A
quinta questão referiu-se a quantidade de cargos que participam das discussões
e decisões, se tem vários cargos que fazem essa prática, logo, dez docentes
disseram que essas discussões com cargos diferenciados acontecem com
freqüência, vinte responderam que às vezes essa prática ocorre e nove colocaram
que raramente isso acontece.
Para
que a participação aconteça de fato é preciso o envolvimento de vários
componentes da escola, devido ao olhar diferenciado que cada um tem.
Com
este pensamento vale dizer que:
Poder real de tomar parte ativa na
elaboração e desenvolvimento do processo educacional, tanto no nível
institucional como no nível social mais amplo, de todos os atores que intervêm
no processo educacional, ou seja, alunos, pais e responsáveis, docentes e
representantes da comunidade (Filho et
al. 1997, p. 11).
Na sexta questão tratou-se sobre a importância
de todos participarem na detecção de falhas no processo organizacional, onde,
seis disseram que sempre há espaço para que todos possam detectar possíveis
falhas, dez disseram que isso ocorre com freqüência, vinte colocaram que às
vezes isso ocorre e três disseram que raramente acontece essa prática.
A
detecção de falhas no processo organizacional da escola faz parte de uma etapa
de grande relevância, onde é preciso a participação de todos, mas,
aparentemente essa participação ainda não acontece em massa.
É o que diz Chiavenato (1989, p. 3)
As organizações são unidades sociais (e,
portanto, constituídas de pessoas que trabalham juntas) que existem para
alcançar determinados objetivos. Os objetivos podem ser o lucro, as transações
comerciais, o ensino, a prestação de serviços públicos, a caridade, o lazer,
etc. Nossas vidas estão intimamente ligadas às organizações, porque tudo o que
fazemos é feito dentro das organizações.
Na sétima questão foi
respondida a pergunta sobre a gestão e as equipes, se elas discutem entre si
formas para melhorar o processo organizacional da escola, obtendo-se que cinco
docentes disseram que sempre fazem isso, nove disseram que acontece com
freqüência, quinze responderam que às vezes isso ocorre e sete docentes
informaram que raramente isso acontece.
Nesta questão
percebeu-se que ainda falta confiança, apoio e o desenvolvimento de uma
liderança mais efetiva que busque a interação da equipe escolar.
Na concepção de Lück
(2008, p. 95) a liderança:
Corresponde
à capacidade de influenciar pessoas individualmente ou em grupo, de modo que
ajam voltadas para a realização de uma tarefa, a efetivação de um resultado, ou
o cumprimento de objetivos determinados, de modo voluntário e motivado, a
partir do reconhecimento de que fazem parte de uma equipe e que compartilham em
comum responsabilidades sociais a que devem atender.
Na oitava questão os
docentes responderam se são autorizados a gerenciar suas atividades e tomar
suas decisões, e, cinco disseram fazer sempre essa prática, oito disseram que
fazem com freqüência, vinte responderam que às vezes agem dessa forma e três
disseram que raramente fazem essa prática.
Isso mostrou que estes
profissionais ainda não têm certa liberdade para influenciar na organização da
escola e muito menos de suas próprias atividades. Este poder de tomar suas
decisões está fragmentado, pois, é uma atitude que ainda é cabível somente à
gestão.
Como explícita Lück
(2008, p. 103), dizendo:
O
exercício de poder está associado à tomada de decisão sobre como agir em
relação à realidade escolar, isto porque ela se manifesta como um poder de
influência, uma vez comprometida com as ações necessárias à sua implementação.
Como a tomada de decisão em si é inócua e só se completa na ação, o poder é um
exercício não apenas por se tomar uma decisão, mas também por se pôr em prática
a decisão tomada.
Para finalizar foi
feita uma pergunta aberta, em que dizia os momentos nos quais os docentes mais
participam das discussões e decisões da organização escolar, e, a maioria deles
disse que em encontros pedagógicos e nos administrativos, mas, que ainda
acontece com pouca freqüência.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Uma gestão participativa realmente requer bastante
organização e dedicação. Com esta pesquisa foi possível observar que esta
organização ainda está fragmentada, mas que há um esforço por parte dos
gestores em quererem inovar e procuram a participação de suas equipes. A
convivência entre gestores e funcionários é agradável havendo respeito como
principal veículo dessa convivência. Há uma articulação entre ambos que na
medida do possível vai sendo direcionada.
Foi possível mostrar que um modelo de gestão
participativa, é de suma importância para o desenvolvimento de novas práticas,
melhorando toda a estrutura organizacional e descentralizando às tomadas de
poder.
Percebeu-se que as tomadas de poder ainda não
estão totalmente disseminados, mas, verificou-se que a gestão está tentando
mudar este quadro.
Abordou-se
no primeiro capítulo a natureza do objeto da pesquisa, onde buscou-se a
essência do trabalho. A contextualização da pesquisa foi de forma clara e
objetiva, mostrando uma estrutura de fácil compreensão.
No segundo capítulo mostrou-se o
aprofundamento desta pesquisa, através de teóricos que embasam este trabalho,
fazendo uma análise de todo processo organizacional que sustenta a gestão
participativa.
No terceiro capítulo abordou-se a
metodologia, que direcionou os caminhos a serem percorridos para a
concretização desta pesquisa, apresentando métodos e técnicas que deram mais
eficácia para alcançar os resultados.
Analisou-se no quarto capítulo os dados
coletados para que houvesse compreensão de forma interpretativa, no intuito de
verificar a concepção de gestores e docentes em relação a gestão participativa,
mostrada na prática.
Constatou-se que a articulação entre gestão e
a equipe escolar se dá por meio do diálogo, que é uma ferramenta de suma
importância no direcionamento dos trabalhos, pois, sem ele provavelmente o
trabalho não fluiria. Os gestores procuram resolver seus problemas dentro do
âmbito escolar preservando a vida profissional de sua equipe.
Pode-se observar que a gestão ainda apresenta
uma atuação fragmentada, deixando a desejar em alguns pontos, pois, o seu discurso
não condiz com a prática apresentada pelos docentes. Mas, isto é questão de
tempo para que a gestão se conscientize que precisa inovar.
Ao longo dessa pesquisa, foi plantada uma
semente de esperança, de ver no futuro gestão e equipe escolar articulando
entre si de forma prazerosa, visando as reais necessidades da escola e respeitando
a opinião de cada um.
Portanto,
foi possível ver que a gestão participativa não está longe da realidade das
escolas, apenas precisa de mais atenção por parte de seus gestores para sua
efetivação organizando melhor seus trabalhos tanto na teoria quanto na prática
e que tudo precisa está registrado nos arquivos da escola como prova de sua
competência.
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APÊNDICE
APÊNDICE “A”
QUESTIONÁRIO
APLICADO AOS GESTORES E COORDENADORES PEDAGÓGICOS
CARGO:
_______________________ SETOR:
____________________________
1.
Idade:
( ) menos de 20 anos (
) entre 20 e 30 anos ( ) entre 30 e 40 anos
( ) entre 40 e 50 anos (
) mais de 50 anos
2.
Grau
de instrução:
( )Ensino Fundamental completo (
) Ensino Fundamental
incompleto
( ) Ensino Médio
incompleto ( )
Ensino Médio Completo
(
) graduação incompleta ( )
graduado
3. Na sua concepção o que é uma Gestão
Participativa?
4.
Existe
o Projeto Político Pedagógico na escola?
( ) Sim ( ) Não
( ) Sim ( ) Não
5.
O
Projeto Político Pedagógico esta atualizado?
( ) Sim ( ) Não
( ) Sim ( ) Não
6.
O
Projeto Político Pedagógico foi elaborado com a participação da comunidade
escolar?
( )
Sim ( ) Não
7. O Projeto Político Pedagógico encontra-se
atualizado conforme a legislação vigente?
( ) Sim ( ) Não
( ) Sim ( ) Não
8. A escola oferece atendimento aos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem?
( ) Sim ( ) Não ( ) As vezes
9. Os pais são informados sobre o rendimento escolar dos filhos?
( ) Sim ( ) Não
10. A comunidade escolar participa das tomadas de decisão da gestão escolar?
( ) Sim ( ) Não
11.
A escola oferece eventos educativos ou culturais para comunidade escolar?
( ) Sim ( ) Não
( ) Sim ( ) Não
12.
Quais os fatores que favorecem a participação dos funcionários nas discussões e
decisões da escola?
13.
Quais os fatores que dificultam a participação dos funcionários nas discussões
e decisões da escola?
APÊNDICE
“B”
QUESTIONÁRIO
APLICADO AOS DOCENTES
CARGO _____________________ SETOR ________________________
1.
Idade:
( ) menos de 20 anos ( ) entre 20 e 30 anos ( ) entre 30 e 40 anos
( )
entre 40 e 50 anos ( )
mais de 50 anos
Grau de instrução:
( ) Ensino Fundamental Completo ( ) Ensino Fundamenta incompleto ( ) Ensino
Médio incompleto ( )
Ensino Médio completo
(
) graduação incompleta ( ) graduado
2. Na sua concepção, o que é uma gestão
participativa?
Para
cada questão abaixo assinalar um “x” somente em uma das questões que prevalece
na Instituição:
|
|
Sempre
|
Com
Freqüência
|
Às
Vezes
|
Raramente
|
Nunca
|
|
1.
A missão e os objetivos da organização são disseminados/ espalhados entre as
pessoas.
|
|
|
|
|
|
|
2.
Você tem acesso às informações sobre tecnologias, orçamentos, finanças,
projetos, programas e estratégia da instituição.
|
|
|
|
|
|
|
3.
A sua opinião é levada em consideração e aproveitada na prática.
|
|
|
|
|
|
|
4.
É assegurada a igualdade de participação a todas as pessoas.
|
|
|
|
|
|
|
5.
São diversos os tipos de cargos das pessoas que participam das discussões e
decisões.
|
|
|
|
|
|
|
6.
A organização considera importante a participação de todos na detecção de
possíveis falhas nos processos.
|
|
|
|
|
|
|
7.
A gestão e as equipes discutem entre si formas de melhorias nos processos de
organização.
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8.
As equipes são autorizadas a gerenciar suas atividades e tomar suas decisões
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FONTE: adaptada de LEAL FILHO, 2002.
9. Dê exemplo de quais ocasiões você mais
participa das discussões e decisões da organização escolar.
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